Emyslosn Farias foi a escolha do PT como vice de Marcus Alexandre na disputa ao Governo do Estado em 2018/Foto: Reprodução

 

O crescimento descontrolado dos casos de assassinatos e crimes contra o patrimônio no Acre nos últimos anos coloca policiais que decidiram trilhar o caminho da política como figuras centrais na disputa pelo governo. Se nas últimas eleições os vices tinham papel de coadjuvante, em 2018 seus históricos de atuação agentes do Estado pode fazer alguma diferença no atual clima de insegurança vivido pelos eleitores.

Apontados como favoritos para polarizar a sucessão de Tião Viana (PT), o prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT), e o senador Gladson Cameli (Progressistas) escolheram como seus vices policiais. O do petista é o delegado da Polícia Civil e atual secretário de Segurança, Emylson Farias, filiado ao PDT.

Já Cameli terá como companheiro de chapa o major da Polícia Militar Wherles Rocha, o Major Rocha (PSDB). O tucano está afastado das funções de policial desde 2010, quando foi eleito deputado estadual após liderar um motim de PMs por melhores salários e condições de trabalho.

Vindo por fora e tentando salvar sua candidatura ao governo está o coronel Ulysses Araújo, que no Acre se apresenta como embaixador de Jair Bolsonaro (PSC-RJ), presidenciável que pega carona na crise da segurança pública do Brasil e promete colocar ordem na casa, dando “carta-branca para policial militar matar”, como declarou durante sua passagem por Manaus em dezembro.

A segurança pública, aliás, tende a estar no centro da eleição presidencial de 2018, apesar de o tema ser de responsabilidade dos Estados. Tratar o assunto é uma forma de tirar votos de Bolsonaro e não deixá-lo como o único salvador da pátria. Praticamente todos os pré-candidatos, ao apresentar seus nomes aos eleitores, abordaram o assunto.

GUERRA POR VOTOS

Para a oposição ao governo petista do Acre, a escolha de Emylson Farias para vice de Marcus Alexandre foi um tiro no pé. Afinal, o pedetista está envolvido diretamente na política de segurança do Estado nos últimos 12 anos. Ocupa a pasta da Segurança desde o início do governo Tião Viana (2011-2018) e foi secretário de Polícia Civil na gestão Binho Marques (2006-2010).

Foi neste período que o Acre teve o maior crescimento nos índices de criminalidade, com o aumento na atuação das facções criminosas. Vários bairros da capital e interior são hoje dominados por líderes destes grupos.

Para amenizar a situação, a estratégia do governo é culpar o governo federal pela crise da segurança acreana ao não controlar as fronteiras com Bolívia e Peru. Nos governos de Dilma e Lula, contudo, os petistas acreanos nem ao menos tocavam no assunto, preferindo fazer vista-grossa para a ausência de patrulhamento com os vizinhos produtores de drogas.

Já Major Rocha terá que tirar do fundo da gaveta alguma iniciativa ou projeto que tenha contribuído para fortalecer a instituição para a qual trabalhou. Seu histórico de atuação como policial militar também tende a fazer a diferença – ou nenhuma.

Para o eleitor, porém, o que interessa é que muito mais do que um jogo de acusações, a campanha de fato tenha propostas sérias para a segurança pública, e que dias de paz voltem a reinar no pacato Estado do Acre.

 

Coluna Ari Mota

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